Thiago: a dor que chamavam de coisa da cabeça — e o músculo que ninguém havia avaliado
Três anos de dor pélvica crônica, dois diagnósticos errados e um médico que finalmente disse a palavra certa: fisioterapia pélvica.
Os nomes foram alterados para preservar a privacidade. As histórias são baseadas em perfis reais de pacientes atendidos na PelvClinic.
Thiago tinha 35 anos e trabalhava como desenvolvedor de software, oito horas por dia sentado numa cadeira, às vezes mais. A dor havia começado de forma insidiosa: uma pressão no períneo que ele havia atribuído ao sedentarismo. Depois virou desconforto na relação sexual. Depois dificuldade para urinar completamente. Depois uma dor constante, surda, que irradiava para a parte interna das coxas e para a lombar.
"O urologista fez exames e disse que era prostatite crônica bacteriana. Fiz antibiótico por três meses. Não mudou nada." Pausa. "O segundo médico disse que era prostatite crônica não bacteriana, que é basicamente o jeito de dizer que não sabem o que é. Me deram anti-inflamatório. Também não mudou nada."
A terceira opinião
Um urologista mais novo, recém-formado e com especialização em saúde pélvica masculina, foi o primeiro a mencionar a fisioterapia pélvica. "Ele disse que uma boa parte dos casos de prostatite crônica não bacteriana são, na verdade, síndromes de dor miofascial do assoalho pélvico. Que a musculatura está em tensão crônica e gerando todos os sintomas. Que isso tem tratamento." Thiago olhou para ele desconfiante. "Tá bom, vou tentar."
O que a avaliação mostrou
A avaliação na clínica confirmou o que o urologista havia suspeitado: hipertonia severa do assoalho pélvico em padrão assimétrico: o lado direito significativamente mais tenso que o esquerdo, o que explicava a irradiação para a coxa direita. Havia também um padrão de respiração compensatória que havia se estabelecido como resposta à dor, criando mais tensão abdominal e pélvica num ciclo contínuo.
"Quando a fisioterapeuta explicou a conexão entre a forma como eu respirava, a tensão que acumulava no trabalho, e a dor que sentia, foi como ligar os pontos de um quebra-cabeça que eu nem sabia que estava tentando montar."
Três meses de trabalho real
O tratamento de Thiago incluiu trabalho direto na musculatura, técnicas de respiração, orientações posturais para o ambiente de trabalho e exercícios para casa. Foi um trabalho colaborativo: ele trazia perguntas, a fisioterapeuta trazia respostas e ajustes. Nada de passividade: ele precisava ser ativo no processo.
"A maior mudança foi quando percebi que tinha aprendido a sentir meu próprio corpo. Parece óbvio, mas eu tinha 35 anos e nunca havia prestado atenção no que acontecia abaixo do umbigo. Era território desconhecido." Três meses depois, a dor havia reduzido em mais de 70%. "Ainda tem dias difíceis. Mas sei o que fazer com eles agora."
"Três anos com dor e a solução estava nos músculos que ninguém havia olhado."
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