Paulo: o que ninguém conta sobre o "depois" da cirurgia de próstata
Ele "venceu" o câncer. Mas ninguém o preparou para o que viria depois. Paulo, 64 anos, sobre a reabilitação que transformou a vitória em liberdade.
Os nomes foram alterados para preservar a privacidade. As histórias são baseadas em perfis reais de pacientes atendidos na PelvClinic.
Paulo tinha 64 anos quando recebeu o diagnóstico de câncer de próstata localizado. A cirurgia foi indicada, realizada com sucesso e o resultado oncológico foi o melhor possível: sem metástase, sem recorrência nos exames de seguimento. Ele havia, tecnicamente, vencido.
"Todo mundo me parabenizou", ele disse. "Família, amigos, médicos. 'Que sorte, pegou cedo.' E é verdade. Mas ninguém me contou que eu ia sair da cirurgia sem controle do xixi. Que ia usar fralda por meses. Que talvez nunca voltasse a ter ereção. Ninguém falou isso claramente antes."
A vitória incompleta
A prostatectomia radical afeta diretamente o esfíncter urinário e os nervos responsáveis pela função erétil. Incontinência urinária pós-operatória e disfunção erétil são sequelas comuns. Mas são também condições tratáveis, em graus variados dependendo de cada caso, com fisioterapia pélvica iniciada no momento certo.
Paulo chegou à clínica seis semanas após a cirurgia, quando o urologista havia finalmente mencionado a fisioterapia como opção. "Seis semanas", ele repetiu. "Fiquei seis semanas em casa achando que era assim para sempre."
O trabalho que ele não sabia que existia
O tratamento começou com a identificação e ativação do esfíncter externo, a musculatura que o corpo ainda possui e que pode assumir parte da função de controle perdida. Era um trabalho minucioso, paciente, que exigia que Paulo aprendesse a sentir músculos que havia passado 64 anos sem precisar conhecer.
"No começo eu ficava olhando para a fisioterapeuta pensando que não estava sentindo nada. Depois de duas semanas, senti algo. Parecia idiota, mas foi a coisa mais importante que aconteceu desde a cirurgia."
Quatro meses depois
Paulo não recuperou 100% da continência. Em casos como o dele, uma incontinência leve residual é esperada e honesta de comunicar. Mas passou de usar fraldas o dia inteiro a usar um protetor fino que trocava uma vez por dia. Voltou a trabalhar. Voltou a viajar. Foi ao casamento do filho sem planejar onde ficavam os banheiros.
"Vencer o câncer foi uma coisa. Aprender a viver depois do câncer foi outra. A fisioterapia foi o que me ensinou a segunda parte."
"Sobreviver era uma vitória. Viver de verdade foi o que aprendi depois."
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