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Laura: a lua de mel que não aconteceu — e o casamento que se salvou dois anos depois

Ela se casou e não conseguiu consumar o casamento. Durante dois anos, guardou o segredo. Aqui está o que aconteceu quando ela parou de guardar.

9 min de leitura·22 de janeiro de 2026
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Os nomes foram alterados para preservar a privacidade. As histórias são baseadas em perfis reais de pacientes atendidos na PelvClinic.

Laura tinha 29 anos quando se casou com Henrique. A lua de mel foi para Portugal, dez dias que ela havia planejado por meses. O que ela não havia planejado: a dor tão intensa na primeira tentativa de relação sexual que ela chorou durante horas no banheiro do hotel enquanto Henrique esperava do outro lado da porta sem entender o que havia acontecido.

"Eu disse que estava nervosa. Que tinha passado a emoção do casamento, que precisava de um tempo. Ele aceitou, foi carinhoso. E aí a lua de mel passou e o problema ficou."

O segredo que ficou

Durante dois anos, Laura e Henrique não haviam consumado o casamento. Ela havia criado uma arquitetura de esquivas (dores de cabeça, cansaço, não era um bom momento) e ele havia aceito, confuso, cada vez mais distante, sem saber o que estava acontecendo. "Ele achava que eu não o amava mais. Eu achava que havia algo gravemente errado comigo."

A consulta com dois ginecologistas havia encontrado nada de anormal. Uma delas havia sugerido tentar mais e relaxar. Laura havia saído do consultório mais perdida do que entrou.

O diagnóstico que mudou a narrativa

Na avaliação na clínica, a fisioterapeuta identificou uma combinação de vaginismo e dispareunia: contrações musculares involuntárias intensificadas por uma hipertonia do assoalho pélvico. Não era falta de desejo. Não era trauma emocional não resolvido. Era o corpo em modo de proteção, com músculos que haviam aprendido a se contrair antecipando a dor, criando um ciclo que se autoperpetuava.

"Quando entendi que era muscular, que meu corpo não estava me traindo mas me protegendo de um jeito errado, foi como se uma sentença fosse suspensa. Eu não estava quebrada. Estava com um problema que tinha solução."

A conversa que havia faltado

A fisioterapeuta sugeriu que Laura trouxesse Henrique a uma das sessões, não como avaliação, mas como conversa. Ele veio. Ouviu a explicação clínica. Fez perguntas. Chorou, levemente, quando percebeu o que havia acontecido nos dois anos que não havia entendido.

"Ele disse que se sentiu culpado por não ter perguntado mais. Eu disse que me senti culpada por não ter contado. A fisioterapeuta disse que a culpa era a coisa menos útil na sala, e que o importante era o que fazíamos a partir dali."

"Dois anos de segredo e dor. O que me libertou foi, finalmente, um diagnóstico que fazia sentido."

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