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Dona Conceição, 78 anos: "Minha filha, eu ia morrer usando fralda"

Ela havia aceitado a incontinência como destino de mulher velha. Sua neta a trouxe à clínica "só para tentar". O que aconteceu a seguir surpreendeu toda a família.

8 min de leitura·15 de janeiro de 2026
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Os nomes foram alterados para preservar a privacidade. As histórias são baseadas em perfis reais de pacientes atendidos na PelvClinic.

Dona Conceição chegou à clínica no colo da neta, metaforicamente claro, porque ela entrou com a bengala e o passo firme de quem tem 78 anos mas não deixa ninguém esquecer disso. "Vim porque a Julinha insistiu demais", ela declarou antes de sentar. "Mas não tenho esperança não, viu? Sou velha. Isso é da minha idade."

Julinha, a neta de 25 anos que a havia trazido, piscou para a fisioterapeuta por sobre a cabeça da avó. A mensagem era clara: ela acha que não vai adiantar. A fisioterapeuta fez que não viu e virou atenção total para Dona Conceição.

A história de 15 anos

A incontinência de Dona Conceição havia começado havia 15 anos, depois de uma cirurgia ginecológica. Havia piorado com o tempo, como geralmente acontece quando não é tratada. Ela usava fraldas descartáveis há seis anos. Havia reorganizado toda a sua vida ao redor disso: não saía mais à tarde quando o fluxo era maior, não ia mais à igreja na fileira do meio porque ficava longe do corredor, havia parado de ir à academia do condomínio. "Antigamente eu nadava", ela disse, com uma saudade pequena que a fisioterapeuta não deixou escapar.

A sessão que mudou o tom

"Dona Conceição, a senhora tem 78 anos, não 108. Sua musculatura ainda responde. Pode não responder como a de uma mulher de 40, mas responde. Quer ver?"

Ela quis. Na primeira sessão de avaliação funcional, a fisioterapeuta mostrou a ela que os músculos do assoalho pélvico ainda existiam, ainda contraíam, fracamente mas contraíam. Dona Conceição ficou olhando por um longo momento. "Então tem jeito?", ela perguntou, baixinho, como se tivesse medo de acreditar.

Oito semanas depois

O progresso foi gradual e real. Depois de oito semanas de trabalho consistente, Dona Conceição havia reduzido os episódios de incontinência em mais da metade. Havia trocado as fraldas por absorventes. E havia, pela primeira vez em seis anos, ido à academia do condomínio.

"Não nadei ainda", ela disse na última sessão, com um sorriso que a fisioterapeuta nunca havia visto nela antes. "Mas fui olhar a piscina. A Julinha ficou chorando boba. Falei pra ela: agora fica calma que a vovó vai nadar ainda."

"Eu ia morrer achando que fralda era meu destino. Descobri que destino não é uma coisa que a gente aceita: é uma coisa que a gente trabalha."

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