Pós-parto e assoalho pélvico: o que ninguém conta no hospital
Alta hospitalar, cuidados com o bebê, visitas, amamentação. Em meio a tudo isso, a recuperação do assoalho pélvico costuma ficar em segundo plano. Não deveria.
Na alta hospitalar, as orientações são sobre o recém-nascido. Sobre amamentação. Sobre a cicatriz da cesariana ou da episiotomia. O assoalho pélvico raramente é mencionado. E assim começa um ciclo silencioso: a mulher volta para casa com um corpo que passou por uma transformação enorme, sem informação sobre o que fazer com ele.
O que acontece com o assoalho pélvico no parto
Durante o parto vaginal, a musculatura do assoalho pélvico sofre distensão significativa. Em alguns casos, há lacerações, espontâneas ou pela episiotomia. Nervos e tecidos de suporte são afetados pelo esforço expulsivo. Mesmo que não haja laceração visível, a musculatura pélvica passa por um evento de alta demanda que requer recuperação dirigida.
No parto por cesariana, muitas mulheres acreditam que o assoalho pélvico não foi afetado, afinal, o bebê não passou por ali. Mas os meses de gestação, com o peso progressivo sobre a musculatura pélvica, deixam marcas independentemente da via de parto.
Os sintomas que costumam aparecer
- Incontinência urinária de esforço, com perda ao tossir, espirrar ou carregar o bebê
- Dor na cicatriz da episiotomia ou cesariana
- Dor nas relações sexuais após a liberação médica
- Sensação de "fraqueza" ou "afrouxamento" perineal
- Urgência urinária ou frequência miccional aumentada
- Constipação intestinal persistente
Quando iniciar a fisioterapia pélvica no pós-parto
Para partos normais, a fisioterapia pélvica pode geralmente ser iniciada após 40 dias, com liberação médica. Para cesarianas, o tempo pode ser similar, dependendo da cicatrização abdominal. Em ambos os casos, quanto mais precoce o início, mais eficiente tende a ser a recuperação.
Não existe recuperação "automática" do assoalho pélvico. Existe recuperação dirigida, e existe ausência de cuidado, que frequentemente resulta em sintomas crônicos anos depois.
O que o tratamento aborda
A fisioterapia pélvica pós-parto trabalha cicatrizes (tanto de episiotomia quanto de cesariana), reabilita a musculatura enfraquecida, trata possível incontinência, aborda disfunções sexuais e orienta o retorno progressivo à atividade física. É um trabalho completo sobre um corpo que acabou de passar por uma das maiores transformações da vida humana, e que merece esse cuidado.
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